Mentiras Sinceras me interessam

Esta mensagem inicial do blog explica, se é que é preciso, o título do mesmo. Todos sabem que é parte da letra de uma música de Cazuza (abaixo) (...) "mentiras sinceras me interessam". Tem outra frase que poderia ser usada. É de uma amiga minha (não me perguntem de quem); "Mente, mas mente gostoso
". Claro que o blog não será usado para difundir mentiras, mas os leitores talvez se identifiquem com a dose de ilusão necessária e até fundamental que coloco em tudo o que faço e escrevo. Utopia, ainda é, uma droga lícita. Mas use com moderação.

"Entre a sinceridade ferina e a falsidade carinhosa, prefiro a última. No jogo impreciso do amor, vale mais a intenção forjada do que a fúria da razão. Portanto, entre a espada crua da verdade, mentiras sinceras me interessam"

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

TORTURADORES? E OS ESCRAVISTAS?

Discutiu-se esta semana (com o perdão!?) os torturadores e assassinos do regime militar. Decidiu-se pelo perdão pessoal com a responsabilização do Estado (que já paga indenizações). Pergunto: Quando vão discutir, pelo menos, as atrocidades cometidas contra os negros no período imperial? Ou os quase 300 anos de escravidão se justificam pelo contexto histórico? Então vamos justificar o nazismo também pelo contexto histórico. E ainda tem gente contra as cotas! Enquanto as famílias se estruturavam, criavam seus filhos livres, compravam (e ganhavam terras), enfim evoluíam, as famílias negras eram escravas. Isto explica hoje, por exemplo, o desigual número de negros em universidades e/ou em cargos e posições de comando no cenário nacional. Nada contra mas quantos deputados, senadores, juízes, advogados, engenheiros, médicos negros você conhece? Qual a razão da elite política, intelectual e social deste país ser de uma raça só? Eu acho que é pela falta de estruturação histórica das familias negras (300 anos escravos). Oquê você acha?


Matérias ilustrativas:



Cotas para negros
Cresce a consciência da dívida social e moral que a Nação e o Estado brasileiro têm com os negros, descendentes dos escravos. A República, ao ser implantada, não executou o projeto da monarquia em doar terras ao longo das estradas de ferro aos que foram libertos pela áurea, assinada pela princesa Isabel. Simplesmente omitiu-se, abandonando-os à própria desventura. Sem terra, sem escolaridade e sem nada, os negros foram obrigados a viver em favelas e a executar, até com heroísmo, serviços e trabalhos conforme as mínimas possibilidades de sua condição social, ou a cair na marginalidade do vício, do ócio ou da contravenção. Aumentaram o contingente de empobrecidos, brancos e mestiços. Assim se exacerbou a divisão de classes na qual se constituem, ainda hoje, os pobres mais pobres. O problema se agravou pela concentração de renda devido aos baixos salários e o processo inflacionário que acompanhou nossa economia durante todo o século XX. No entanto, salvo exceção, muitos conseguiram ascender, através do esporte e da arte. Esta breve explanação do fenômeno social é causa e efeito, num círculo vicioso, da pouca presença do negro nas instituições de ensino médio e superior, pois entra no ensino básico em grande desvantagem. Tais considerações prescindem de outras variantes importantes como o racismo, explícito ou velado, e a desestruturação familiar devido à escravidão e sua seqüelas como abandono das crianças negras pela lei do ventre livre. Trata-se de uma série vergonhosa de erros, equívocos e omissões. Portanto, o problema é estrutural. Há tempo compromete nossa democracia e cidadania.

EDITORIAL do jornal O Testemunho da Fé ( órgão oficial da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro ). Ano XIII ( IV ) – nº 314 – edição semanal nº 162 – de 15 a 21 de fevereiro/04, p